Ela olhou nos seus olhos, beijou sua face, sorriu com ternura. Sabia que poderia não ô ver quando voltasse devido ao seu estado de saúde. Queria ter uma lembrança boa depois de tanto sofrimento, depois de tanta angústia e decepção. Estava com as malas prontas e com o coração aberto. Jamais imaginaria que acabaria assim, mas algo dentro dela a fez continuar. Olhou pro seu filho, passou a mão sobre seu cabelo, olhou-o nos olhos, sussurrou que o amava, deu as costas e partiu pro mundo. O menino esticava as mãozinhas pra ela, gritava seu nome, estava aos prantos, mas nada à fez desistir. Ela era determinada, teimosa, decidida. Embora tivesse apenas dezessete anos, era madura o suficiente pra seguir por seus objetivos. Nem mesmo a gravidez precoce acabou com seus sonhos. Dona de uma beleza inconfundível esperava pela sua hora.
Chegando a São Paulo, sem conhecer ninguém, tinha o endereço de uma velha amiga de sua mãe, que havia prometido lhe receber. Bateu na porta, ninguém atendeu. Bateu novamente. Uma senhora, numa cadeira de rodas abriu-a e lhe disse:
- Oi, no que posso ajudar?
- Vim falar com dona Juria, minha mãe foi sua amiga no passado, preciso de um lugar pra ficar.
- Vim falar com dona Juria, minha mãe foi sua amiga no passado, preciso de um lugar pra ficar.
A velha à observou e lembrou-se do que Juria tinha dito antes de falecer.
- Ah, entre minha querida... Tenho coisas a lhe dizer, mas estádia você não perderá.
Cristina entrou, e esperou pela velha que fechava a porta e a seguia. A velha contou-lhe toda a história e o câncer de Juria que a levou pro outro lado da vida. A menina não esperava por isso, mas por um lado estava menos aflita, pois foi recebida com carinho por aquela desconhecida.
Os dias iam passando, e Cristina não conseguia encontrar nada de trabalho que à pudesse fazer crescer financeiramente e ir buscar seu filho que tinha deixado para trás. Ela não podia ter aquela vida miserável, não podia deixar seu filho crescer sem ter certeza de que seu futuro estaria garantido. Estava enlouquecida, já haviam se passado meses e ela não encontrará nada ainda, estava aflita, com medo, insegura... Coisas que jamais haviam acontecido com ela, mesmo na época em que engravidará. A velha lhe fazia pressão, dizia que ali não era um lugar que ela poderia morar pro resto da vida. Dizia que se continuasse assim, Cristina teria que se retirar.
O medo e a angústia a dominaram, ela já não sabia mais o que fazer. Havia tentado procurar qualquer emprego, mas nem faxina conseguia mais.
Foi quando um pensamento imundo invadiu sua mente, ela sabia que era errada, ela sabia que sentiria nojo de si mesma, ela sabia que nunca mais conseguiria recuperar sua dignidade, mas o que mais ela poderia fazer?! Já não havia outro meio.
Chegando a noite, colocou um vestido preto, que se adequava belissimamente às suas curvas, penteou os cabelos negros, pintou os lábios de um tom forte e saiu. Não foi difícil conseguir o que desejava, caminhou duas ruas e um carro já estava seguindo-lhe. Seu coração disparava, jamais havia feito algo parecido em toda sua vida. Mas parou, deu um sorriso e abaixou na altura do vidro. Entrou no carro. Pensou em seu filho, e na promessa que lhe fizera sobre um futuro melhor. Foi em frente. À partir dessa noite, todas as outras que sucederam foi a mesma rotina. Saia tarde da noite, ganhava dinheiro, voltava.
Ela já havia alugado um quarto em uma pensão e pagava barato. Enfrentou todos os preconceitos que poderia, lutou contra a própria sorte.
Já havia se passado um ano e as coisas melhoravam, ela já havia aberto uma conta em seu nome e depositava dinheiro. Ela era muito competente no que fazia e já tinha clientes fixos que pagavam mais por seus serviços. Ela sabia que não podia se apaixonar, procurava não se envolver. Seguido ela ligava pra sua mãe, perguntava sobre seu pai, doente. Perguntava sobre seu menino, que estava cada vez mais crescido e agüentava sua ausência. Quando a mãe questionava sobre seu emprego, ela mentia. Dizia qualquer mentira inventada na hora e arrumava motivos inexistentes pra desligar o telefone.
Sua vontade era de ir embora, mas sua ganância fazia querer sempre mais. Chorava todas as noites. Pensava em seu filho, pensava no futuro melhor pros dois. Isso a fez continuar ali, mais 5 anos. Já havia conseguido dinheiro suficiente para ao menos, ajudar seus pais e dar um futuro um pouco melhor para seu filho.
Resolveu voltar pra sua cidade natal, rever todos, esquecer tudo o que havia acontecido em são Paulo.
Mais uma vez arrumou suas malas e partiu. Não dava pra dizer que ela era rica, mas ela trabalhava o dia todo, durante o dia, era empregada doméstica e a noite programas. Durante esse tempo ela gasto o mínimo que podia e colocava no banco tudo que adquiria, recebeu inúmeras propostas de casamento de homens que prometiam lhe tirar daquela vida, mas ela só pensava no dinheiro e no seu filho, que já devia estar crescido e se perguntando onde estava sua mãe.
Pegou o avião e voltou pra Maceió, onde havia nascido e onde residia sua família. Quando chegou na sua casa, viu grama na altura dos seus joelhos, viu a casa caindo os pedaços, não viu ninguém. Lembrou-se que não telefonava pra sua mãe havia quase uns 5 meses, e que nem avisará da sua chegada repentina. Ficou transtornada, não esperava por aquilo. Perguntou pra alguns vizinhos, mas ninguém sabia responder. A única coisa que lhe disseram, era que seu pai havia morrido, e que a partir daí não tiveram mais notícias de sua mãe e de seu filho.
(continua)
Teu estilo literario me lembra Dante Alighlieri, talvez Martha Medeiros, uma pitada do mestre Shakespeare, e um Pouquinho de Mig severgnini...bom nem todos poetas , dramaturgos, romancistas, escritores classicos poderiam colocar tamanha força e emoção numa primeira página,ao menos eu nunca vi, demonstra o quanto vc e tentadora, o quanto vc é inspiradora...nem te conheço, ja te adoro, nem estive com vc ja te quero pra sempre.
ResponderExcluirPoxa, sinto me lisonjeada com seu comentário, logo vindo de você, um poeta magnífico. Muito obrigada, por todos os elogios.
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