sábado, 12 de fevereiro de 2011

Cristina l PARTE 2


Cristina não sabia o que pensar, o que fazer... Rios de lágrimas inundaram seu rosto, ela estava perdida em seus pensamentos, ela estava perdida no seu destino. Sentou-se na varanda, no velho balanço e ficou pensando no que fazer... Se perguntou o porquê se sua mãe e seu filho sumirem sem dar explicação alguma. Ficou ali por aproximadamente uns 20 minutos, entrou no carro novamente e foi no cemitério onde toda a geração antecedente estava enterrada. Procurou pelo túmulo do seu pai e achou. Chorou. Passou a mão pela terra que tinha em cima do túmulo, olhou pro nome estampado na lápide: Antônio Luís Fernandes. Chorou de novo. Estava com o coração apertado, com as mãos tremulas, com o pensamento longe.  Sentia falta de seu pai, sentia falta de seu filho. Queria encontrá-los de qualquer maneira. Já não conseguia pensar em outra coisa. Resolveu então voltar pra São Paulo e contratar algum detetive. Precisa desvendar esse sumiço repentino. Sua mãe não tinha telefone celular, o que dificultava mais ainda. Também não tinha mais parentes vivos, nem ninguém que ela pudesse ir pra casa passar uns dias... Ou meses, no caso.
Voltou pra São Paulo e contratou um dos melhores detetives da região. Ela, uma mulher de situação financeira favorável, podia pagar. Passou-se um mês e não teve noticia alguma de ambos. Ela mantinha contato com o detetive todos os dias. Ela, hoje com quase 25 anos, solteira, apesar do seu passado, ainda era linda. Não demorou muito pra Leopoldo se interessar por Cristina. Leopoldo era solteiro, 30 anos aproximadamente, charmoso. Era detetive particular, um dos melhores e ganhava muito em suas investigações, também herdará uma herança muito boa de seu pai. Era rico o suficiente pra não precisar pro resto de sua vida e ainda viver uma vida de luxo. Mas ele tinha seu orgulho e nunca deixará o trabalho de lado. Certamente um ótimo partido. Cristiana às vezes se perguntava por que ele não usava uma aliança e não podia negar uma incrível atração que sentia por ele.
Leopoldo se esforçava o máximo para ter alguma pista da mãe e do filho de Cristina, pois pra ele esse caso não se tratava apenas de trabalho, ele queria impressionar Cristina e ganhar sua confiança e admiração.
As buscas estavam cada vez mais difíceis e Cristiana já se sentia sem muitas esperanças. Desde que voltará à São Paulo, ela tinha se sustentado com o dinheiro que tinha colocado no banco. Além de pagar um ótimo detetive, ela ainda estava hospedada em um hotel de luxo e tinha comprado um carro popular. Já não tinha mais tanto dinheiro guardado como antes e isso a preocupava. Tudo que ela não queria era voltar a fazer programa. Ela sentia-se como um mendigo quase é ofendido por alguém, ela tinha nojo de se olhar no espelho e lembrar de todas aquelas noites, todos aqueles homens, possuindo seu corpo, beijando-a do jeito que apenas um homem tinha permissão pra fazer: o pai de seu filho. Antes daqueles programas, ele tinha sido o único a deitar-se com ela. Sua dignidade nunca mais seria recuperada, ela sabia disso, mas voltar a fazer programa, faria com que ela se sentisse um lixo novamente.
Em uma noite Leopoldo chegou em seu apartamento, tocou o interfone. Subiu. Cristina já estava quase preparada para dormir, mas atendeu a porta de prontidão. Ele lhe disse:
- Tenho uma ótima notícia pra você!
- Me diga – ela disse eufórica.
- Encontrei uma pista que pode nos levar ao paradeiro de sua família!
Cristina com empolgação se jogou nos braços de Leopoldo e beijou-lhe os lábios. Ele retribuiu o beijo com um certo susto. Não imaginava aquilo tão de repente.
Quando ela se deu por conta do que estava fazendo, afastou-se dele, pediu milhões de desculpas. Ele vendo a timidez e o arrependimento no seu rosto, aproximou-se dela, pegou sua mão e disse:
- Eu esperava por isso à muito tempo.
Ela sentindo-se mais aliviada por não compartilhar esse sentimento sozinha diz:
- Nossa, eu agi por impulso, me perdoe mesmo.
Ele a tomou nos braços e deu-lhe outro beijo e disse:
- Eu não fiz por impulso, eu lhe quero!
Os dois compartilharam um momento de paixão, suas auras estavam interligadas e  eles se amaram por uma noite.
Ela, por alguns minutos, lembrou-se de seu passado sujo, lembrou de todas às vezes que tinha feito isso e não tinha sentido nada. E hoje, ela sentir-se-á uma mulher novamente, digna de respeito. Tinha em suas mãos um novo destino e já havia perdido muito tempo, sendo uma qualquer.
Na manhã seguinte quando Cristina acordou, Leopoldo não estava ao seu lado. Ela sentiu uma angústia enorme, mil coisas passaram por sua cabeça. Até que ouviu o barulho do fogão na cozinha.
É, aquele homem era mesmo perfeito, estava lá, preparando seu café da manhã. Ela se encostou na porta e ficou observando-o e  verificando se aquilo não era um sonho.
Quando ele se deu conta de sua presença, ele sorriu e caminhou em sua direção. Pegou-a pela cintura, beijou-lhe com ternura, conduziu-a até a mesa. Serviu seu café da manhã. Conversaram um pouco, e ele contou-lhe tudo, sobre o que havia descoberto e o que podia fazer para achar sua mãe e seu filho. Ela quase não se conteve de tanta felicidade.

(continua)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Cristina l PARTE 1

Ela olhou nos seus olhos, beijou sua face, sorriu com ternura. Sabia que poderia não ô ver quando voltasse devido ao seu estado de saúde. Queria ter uma lembrança boa depois de tanto sofrimento, depois de tanta angústia e decepção. Estava com as malas prontas e com o coração aberto. Jamais imaginaria que acabaria assim, mas algo dentro dela a fez continuar. Olhou pro seu filho, passou a mão sobre seu cabelo, olhou-o nos olhos, sussurrou que o amava, deu as costas e partiu pro mundo. O menino esticava as mãozinhas pra ela, gritava seu nome, estava aos prantos, mas nada à fez desistir.  Ela era determinada, teimosa, decidida. Embora tivesse apenas dezessete anos, era madura o suficiente pra seguir por seus objetivos. Nem mesmo a gravidez precoce acabou com seus sonhos. Dona de uma beleza inconfundível esperava pela sua hora. 
Chegando a São Paulo, sem conhecer ninguém, tinha o endereço de uma velha amiga de sua mãe, que havia prometido lhe receber. Bateu na porta, ninguém atendeu. Bateu novamente. Uma senhora, numa cadeira de rodas abriu-a e lhe disse:
- Oi, no que posso ajudar?
- Vim falar com dona Juria, minha mãe foi sua amiga no passado, preciso de um lugar pra ficar.
A velha à observou e lembrou-se do que Juria tinha dito antes de falecer.
-  Ah, entre minha querida... Tenho coisas a lhe dizer, mas estádia você não perderá. 
Cristina entrou, e esperou pela velha que fechava a porta e a seguia. A velha contou-lhe toda a história e o câncer de Juria que a levou pro outro lado da vida. A menina não esperava por isso, mas por um lado estava menos aflita, pois foi recebida com carinho por aquela desconhecida. 
Os dias iam passando, e Cristina não conseguia encontrar nada de trabalho que à pudesse fazer crescer financeiramente e ir buscar seu filho que tinha deixado para trás. Ela não podia ter aquela vida miserável, não podia deixar seu filho crescer sem ter certeza de que seu futuro estaria garantido. Estava enlouquecida, já haviam se passado meses e ela não encontrará nada ainda, estava aflita, com medo, insegura... Coisas que jamais haviam acontecido com ela, mesmo na época em que engravidará. A velha lhe fazia pressão, dizia que ali não era um lugar que ela poderia morar pro resto da vida. Dizia que se continuasse assim, Cristina teria que se retirar. 
O medo e a angústia a dominaram, ela já não sabia mais o que fazer. Havia tentado procurar qualquer emprego, mas nem faxina conseguia mais. 
Foi quando um pensamento imundo invadiu sua mente, ela sabia que era errada, ela sabia que sentiria nojo de si mesma, ela sabia que nunca mais conseguiria recuperar sua dignidade, mas o que mais ela poderia fazer?! Já não havia outro meio. 
Chegando a noite, colocou um vestido preto, que se adequava belissimamente  às suas curvas, penteou os cabelos negros, pintou os lábios de um tom forte e saiu. Não foi difícil conseguir o que desejava, caminhou duas ruas e um carro já estava seguindo-lhe. Seu coração disparava, jamais havia feito algo parecido em toda sua vida. Mas parou, deu um sorriso e abaixou na altura do vidro. Entrou no carro.  Pensou em seu filho, e na promessa que lhe fizera sobre um futuro melhor. Foi em frente. À partir dessa noite, todas as outras que sucederam foi a mesma rotina. Saia tarde da noite, ganhava dinheiro, voltava.
Ela já havia alugado um quarto em uma pensão e pagava barato.  Enfrentou todos os preconceitos que poderia, lutou contra a própria sorte. 
Já havia se passado um ano e as coisas melhoravam, ela já havia aberto uma conta em seu nome e depositava dinheiro. Ela era muito competente no que fazia e já tinha clientes fixos que pagavam mais por seus serviços.  Ela sabia que não podia se apaixonar,  procurava não se envolver.  Seguido ela ligava pra sua mãe, perguntava sobre seu pai, doente. Perguntava sobre seu menino, que estava cada vez mais crescido e agüentava sua ausência. Quando a mãe questionava sobre seu emprego, ela mentia. Dizia qualquer mentira inventada na hora e arrumava motivos inexistentes pra desligar o telefone.
Sua vontade era de ir embora, mas sua ganância fazia querer sempre mais. Chorava todas as noites. Pensava em seu filho, pensava no futuro melhor pros dois. Isso a fez continuar ali, mais 5 anos. Já havia conseguido dinheiro suficiente para ao menos, ajudar seus pais e dar um futuro um pouco melhor para seu filho.
Resolveu voltar pra sua cidade natal, rever todos, esquecer tudo o que havia acontecido em são Paulo.
Mais uma vez arrumou suas malas e partiu. Não dava pra dizer que ela era rica, mas ela trabalhava o dia todo, durante o dia, era empregada doméstica e a noite programas. Durante esse tempo ela gasto o mínimo que podia e colocava no banco tudo que adquiria, recebeu inúmeras propostas de casamento de homens que prometiam lhe tirar daquela vida, mas ela só pensava no dinheiro e no seu filho, que já devia estar crescido e se perguntando onde estava sua mãe.
Pegou o avião e voltou pra Maceió, onde havia nascido e onde residia sua família. Quando chegou na sua casa, viu grama na altura dos seus joelhos, viu a casa caindo os pedaços, não viu ninguém. Lembrou-se que não telefonava pra sua mãe havia quase uns 5 meses, e que nem avisará da sua chegada repentina. Ficou transtornada, não esperava por aquilo. Perguntou pra alguns vizinhos, mas ninguém sabia responder. A única coisa que lhe disseram, era que seu pai havia morrido, e que a partir daí não tiveram mais notícias de sua mãe e de seu filho.

(continua)

Elogios

Você sorri, você sente enorme compaixão pelo seu elogiador, você fica bem consigo mesma, você procura se aperfeiçoar, o oposto das críticas que te abalam, ou das criticas construtivas  que fazem você pensar, os elogios mostram o seu trabalho reconhecido e a sensação de satisfação é indescritível. É.